Em breve…Gráfico de Ações da Associação de Xadrez de São Bento do Sul


O trabalho é longo esta em curso, sendo realizado por profissional da área afim em que se desdobra tal trabalho; será um histórico dos últimos 10 anos das modalidades tendo como fonte a própria FESPORTE.

Constarão conquistas individuais e por equipe somente de eventos FESPORTE.

O objetivo é apresentar dados como:

ATUAÇÃO EM RESULTADOS – QUALIDADE – ESTADUAL – BRASILEIRO – SULBRASILEIRO – JESC – OLESC – JOGUINHOS – JASC

ATUAÇÃO EM COMUNIDADE – QUANTIDADE – 1 CENTRO – 2 POLOS – VARIOS EVENTOS MENSAIS

ATUAÇÃO SOCIAL – RECONHECIMENTO DO VALOR ESPORTIVO COMO FERRAMENTA DE CONSCIENTIZAÇÃO EM MASSA

ATUAÇÃO COMPETENTE – COOPERATIVISMO, ETICA E PROFISSIONALISMO COM RECONHECIMENTO CONCRETO

CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTOS “SÁBIO”

TIGRE - SER O MELHOR DOS MELHORES
SER O MELHOR DOS MELHORES

Rio Grande do Sul e Santa Catarina…de igual para igual!


bxk119924_bra2800Itapirubá , Santa Catarina, 1996, meu primeiro torneio fora do estado e o de mais alto nível até então jogado. Cinco Mestres Internacionais, três mestres FIDE e aproximadamente dez mestres nacionais; além daqueles enxadristas “papa torneios” semi-profissionais.

            Sessenta e dois participantes prestigiando a VII COPA MERCOSUL DE XADREZ que previa premiar os 15 primeiros colocados; R$ 4.000,00 ao total! Ficar entre os quinze ao longo da competição demonstrou ser um ato de heroísmo…

            Depois de jogada a 8ª rodada e feito o ponto com méritos, dirijo-me a mesa 09 para jogar com o atual Campeão Catarinense Haroldo Cunha, o “Haroldinho” como alguns costumam chamar. A esta altura da competição, com 5 pontos, eu precisava “apenas” fazer 2 pontos em  3 possíveis para tornar-me um dos “heróis”.

            Em conversas de bastidores dos torneios, em praticamente todos os recantos do sul onde se joga xadrez, em muito se houve falar o quão é alto o nível do xadrez catarinense. Todavia, isto diz respeito aos JASC (Jogos Abertos de Santa Catarina), onde contratam-se diversos profissionais do xadrez e, muitos gaúchos também!! O Campeonato Catarinense Absoluto de Xadrez, o qual define o Campeão Estadual, assim como o nosso Campeonato Gaúcho Absoluto, tem nível equivalente ao nosso, não havendo toda esta discrepância como alguns pensam. E pairam-me dúvidas se o nosso não estará sobrepondo-se…

            Antes da partida, sentei a mesa junto com o nosso atual Vice-campeão gaúcho, Anderson Vieira, e pedi que me explanasse algumas idéias de como enfrentar o sistema que o Haroldinho sempre joga: 1. d4,  2. Bf4, 3.e3, 4. c3 -Sistema Inglês. É relevante lembrar que Anderson enfrentou este mesmo adversário em dezembro de 1995, no X Campeonato Aberto de Santa Cruz, derrotando-o!

            Bom, chega de letrinhas e vamos aos lances! Primeiramente meu amigo “Puff Andersen” mostrou a linha de jogo com 1…. Cf6, 2…. g6, 3…. Bg7, 4…. d6, 5…. 0-0, 6…. c5; passando depois a linha mais usual com 1…. d5, 2…. Cf6, 3…. e6, 4…. Bd6, 5…. c5, cedendo o controle de e5, a outra opção era jogar uma Holandesa com fiancheto, sistema chamado de Leningrado, o qual nunca me agradou. Tal variante consiste em jogar: 1…. f5, 2…. Cf6, 3…. g6, 4….d6, 5….0-0, 6…. De8 e 7…. e5. Devo dizer que não gostei da idéia de ver aquele “buraco” em e6, sendo uma tentação para as brancas jogarem d5.

            Fui para a mesa enfrentar meu adversário sem ter decidido o que jogar.

            Vamos a luta: 1. d4, e depois de dois minutos resolvi jogar a dita Holandesa/Leningrado, 1…. f5, 2. nf3 nf6, 3. g3 …, e aqui eu comecei a me morder por estar jogando um sistema totalmente diverso do esperado, a vontade era tirar o escalpo de meu “acessor”. 3…. g6, 4. bg2 bg7, 5. kg1 kg8, 6. b3 e6, após um bom tempo de reflexão resolvi jogar o mesmo plano, porém com e6-d6-Qe7-Nbd7 e e5; a idéia de jogar e6 é evitar d5 ou responder a este com e5! Em pesquisa feita após voltar a Santa Maria, descobri que as partidas jogadas em mais de cinco Informadores, as pretas não jogaram e6 e as brancas respoderam a d6 das pretas com d5!, ganhando em todas partidas!! 7. bb2 d6, 8. nbd2 nbd7, 9. c4 a5?!, uma perda de tempo, melhor seria Qe7 e e5. 10. qc2 qe7, 11. e4 fe, se as pretas tivessem jogado o correto no lance nove, já teriam o seu peão em e5 e poderiam responder 11. e4 com 11…. f4! 12. ne4 e5, 13. re1?! (de5!) ne4, 14. qe4 qf7, 15. re2 ed4, 16. ng5 qf6, 17. qd5 kh8, 18. rd1 c6?, com este lance as pretas ficaram perdidas; 18…. Ne5 e as pretas tem clara vantagem (análises de Eduardo Sperb, Haroldo Cunha e Ivan Boere). 19. qd4 ne5, 20. qh4 h6, 21. f4 bg4, 22. be5 (Re5 estraçalha) de5, 23. qg4 hg5, 24. fg5 qe7, 25. be4 rad8, 26. rd8 qd8, 27. bg6?? qd1, 28. kg2 qf1++. E o Vice-campeão Gaúcho/94, assim como o de 1995, vence o atual Campeão Catarinense…

 riograndedosul

Meu Primeiro Mestre


 

Eduardo Quintana Sperb
Eduardo Quintana Sperb

 

VIII Memorial Internacional de Xadrez Bóris  Maranhão  Otero  

  Rio Grande – RS – Brasil  Janeiro/1995

 

 

 

                Depois de jogada a primeira rodada contra um “filé” -segundo vocabulário mais vulgar, que não uso; saí da mesa 16 para dirigir-me ao famoso “osso”, mas qual?

                Cálculo rápido: 26 jogadores com um ponto – 3×16 – fechando cores; temerosa descoberta: Daniel Izquierdo – 2330 – Mestre FIDE – recém chegado das Olimpíadas!! Mesa!!!

                Como se não bastasse enfrentar um adversário deste porte na 2ª rodada meus caros amigos, devo contar-lhes a respeito da “sinistra toca” da mesa 3. Em 13 partidas jogadas (1993 e 1994), somei 9 vitórias e 4 derrotas, porém, todas na mesa 3!!

                Mestre FIDE, mesa 3, já que estou no inferno, o melhor é abraçar o diabo, vamos lá…

                Cheguei alguns minutos antes, preparei o tabuleiro, jogo de peças, relógio e planilha. “Miro” o tabuleiro e busco concentrar-me, além é claro, de ignorar o número da mesa -números de mesas não jogam xadrez, nós enxadristas sim…ou pelo menos pensamos / tentamos.

                Um rapaz de baixa estatura, de barba e óculos aproxima-se da mesa, cumprimenta-me e senta. Pergunta meu nome e como não entende, solicita minha planilha que mostra: Sperb, Eduardo Quintana 1899/FGX e Izquierdo, Daniel 2330/FIDE. Percebo que meu adversário mira 1899 com certa displicência, talvez pouco caso, tudo bem deve ter pensado ele, osso pra mim só na 4ª, 5ª rodada…

                À luta 1. Nf3 …alguns minutos a cerca do que poderia vir e, sem “viajar” muito, joguei: 1. … d5, 2. b3 …, já conhecia, mas jamais havia jogado; 2. … e6, 3. Bb2 f5, após um bom tempo de reflexão, resolvi jogar uma Holandesa, já que alguma “coisa” conheço.

                4. d3 Nf6, 5. Nbd2 Be7, 6. g3 Kg8, 7. Bg2 c6, 8. Kg1 a5 (em busca de espaço na ala da dama, ainda que, Qe8 fosse mais exato segundo o plano a seguir: partir para uma ofensiva na ala do rei. Segundo Pachman, a5 se justifica em função a manobra Na6 e Nc7) 9. a3 Qe8 ( se 9. … a4?!, 10. b4!±) 10. c4 Nbd7, 11. Qc2 Qh5 (configura-se aqui o “Ataque Caveira”, segundo o MN Paulo Sérgio) 12. e4 … (como no lance 10. c4, meu adversário jogou 12. e4 como que contando como certa a captura 12. de4/c4, mas d5 é a “alma do negócio”) 12. … f4! (possibilita a abertura da coluna f para um posterior ataque e cria tensão na ala do rei). Diagrama.

 

>________?

árdbd 4kd]

àdpdng 0p]

ß dpdph d]

Þ0 dpd dq]

Ý dPdP0 d]

Ü)PdPdN) ]

Û GQH )B)]

Ú$ d dRI ]

AÁÂÃÄÅÆÇÈ@

13. Rae1 Rf7 (defende o bispo e continua no plano com um futuro Taf8) 14. cd5 cd5, 15. ed5 ed5, 16. Ne5 Ne5, 17. Re5 Qh6 (continua jogando na ala do rei, incluso Bh3!-Raf8!) 18. Nf3 (defende-se de 18. … Ng4!) 18. … Bd6! (desprega a torre da defesa do bispo e coloca-o agindo diretamente na ala do rei) 19. Rg5 Bh3, 20. Bf6 Rf6, 21. Rd5 ( o peão de d5 cumpriu bem sua função no meio-jogo fiscalizando o centro e4 e c4, agora não mais importa, pois é “tudo na Ala do Rim”, digo, do rei…) 21. … fg3 (abrindo finalmente a coluna f para o ataque e colocando o condutor das brancas num dilema: se 22. hg3 …, fica sob ataque f3 e a posteriori h2/h1 ou então, 22. fg3 … deixando um “hole” na posição: e3) 22. fg3 Raf8, 23.Bh3 … (buscando aliviar o ataque com trocas. Se 23. Ra5 Rf3!!, 24. Rf3 Rf3, 25. Qc4 Kh8, 26. Ra8 Bf8 – Qe3 Qe1¬) 23. … Qh3, 24. Qg2 Qe6 (sem trocas desnecessárias!!) 25. Nd2 …(objetivando defender a torre e solucionar o problema do cavalo em f3, mas não do “hole” em e3 e do ataque pela coluna f) 25. … Qe3, 26. Kh1 Rf2!!!, 27. Tf2 …(se: 27. Qe4 Rh2, 28. Kh2 Qg3, 29. Kh1 Qh2 mate ou 27. Qh3 Rf1, 28. Nf1 Qf3, 29. Qg2 Qf1, 30. Qg2 Tf1, 31. Kg2 Rf6¬) 27. … Rf2, 28. Qg1 Qd2, 29. Rd6 Qe2, 30. Rd8 Rf7, 31. Qf2 Qf2, 32. h3 Qg3, 33. Rd7 Ke8, 34. Rd4 Qh3, 35. Kg1 Qe3, e com toda correção e cavalheirismo estendeu a mão e cumprimentou-me.

                Partida terminada, miro mais uma vez na planilha os 2330/FIDE e o número da mesa, e penso: “Buenas, nem rating, nem mesa jogam “chess” tchê!”CB056255

Educação, cultura, esporte e saúde!